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Jornalistas jamais serão substituídos por máquinas

IJD SP dia 5
Última aula do curso de Introdução ao Jornalismo de Dados teve como tema visualização de dados e mapas

 

Por Camila Almeida, repórter da Revista Superinteressante

Jornalista que gosta de dados não vê nos números uma caverna obscura, com entrada liberada apenas para os aventureiros das exatas. Vê neles uma clareira iluminada no meio da escuridão, onde os mistérios se reúnem tranquilos, guardando despretensiosamente uma infinidade de verdades sobre o mundo. Esperando que alguém os leia. Entre teses, hipóteses e anseios por revelações e respostas, quantas horas não passei debruçada sobre planilhas e relatórios, quase sempre impressos por toda a bancada? Quantas horas não despendi fazendo contas à caneta, respondendo questionamentos com regras de três e uma calculadora de celular?

Durante o curso de Introdução ao Jornalismo de Dados, senti como se algumas das trilhas que levam à clareira se abrissem. Lugares que eu nunca imaginei acessar, que nunca sonhei que existissem, me foram revelados. E, agora, sinto que existem ainda mais caminhos possíveis ao meu redor, mas que, por enquanto, não enxergo. Aquela história de que a gente só consegue ver o que conhece nunca me pareceu tão real.

Foram cinco tardes descobrindo uma realidade fantástica. Percebendo que, com domínio de ferramentas de análise, obtenção e limpeza de dados, o mundo fica mais claro, mais amplo e faz até mais sentido. E que o jeito de trabalhar não precisa – e não deve – ser tão analógico. Que se o computador pode fazer um trabalho duro e braçal por mim, minha obrigação é me dedicar profundamente à interpretação, à criação de relações e à tradução das informações importantes ali guardadas. Isso não tem computador que faça. E, enquanto jornalistas, é aí que podemos dar nossa contribuição.

Obrigada à Escola de Dados por essa experiência que amplia o raio do olhar e abre a mente. Que estejamos cada vez mais preparados para nos aventurar por esses caminhos e para trazer, na volta, informação de qualidade, acessível e apresentável. Passei a enxergar melhor minha missão como jornalista essa semana, e o valor disso não tem máquina que mensure: somos, em essência, desbravadores de universos misteriosos. Sejam eles compostos por pessoas e suas complexidades ou dados.


Chegou ao fim nesta sexta-feira, 10 de abril, a terceira edição do curso Introdução ao Jornalismo de Dados, oferecido pela Escola de Dados na Universidade de São Paulo. A quinta e última aula teve como tema “Visualização de dados e mapas” e foi ministrada por Vitor George, do Infoamazônia. Durante a semana, publicamos diariamente fotos e depoimentos com as impressões de participantes do curso. Para ver posts anteriores sobre o curso, clique aqui.

O treinamento é gratuito e faz parte do programa Partnership for Open Data (POD), uma parceria entre o Banco Mundial, o Open Data Institute e a Open Knowledge Foundation para acelerar a abertura de dados em países em desenvolvimento. Edições anteriores foram realizadas em Salvador e no Rio de Janeiro. 

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