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Jornalismo de Dados sobre a temática racial

*Texto por André Luís Santana, jornalista e editor do portal Correio Nagô

Uma parceria entre o Instituto Mídia Étnica e a Escola de Dados vai possibilitar a produção de conteúdos jornalísticos, com enfoque étnico racial, utilizando ferramentas de dados.

Curso “Transformando Dados em Histórias” em Salvador

Na última semana do mês de setembro (dias 26, 27 e 28/09), a instituição pioneira na difusão do jornalismo de dados realizou em Salvador o curso “Transformando Dados em Histórias”, uma formação em 20h de introdução a investigações jornalísticas guiadas por dados. Dois estudantes de jornalismo foram indicados pelo Instituto Mídia Étnica para participar do curso, visando adquirirem conhecimentos práticos para a produção de matérias sobre temas de interesse da comunidade negra. 

O curso, ministrado pelos jornalistas Juan Torres e Yuri Almeida, foi bastante prático e atraiu o interesse de estudantes, jornalistas e profissionais da Comunicação que buscam extrair o máximo potencial dos dados em seus trabalhos ou investigações. O compartilhamento de ferramentas de buscas e análise de banco de dados, além de discussões contemporâneas como a Lei de Acesso à Informação (LAI) revelou a urgência destas temáticas no fazer jornalístico contemporâneo.  

Entrevistar dados

 “Entrevistar uma base de dados é algo novo para mim, mas que já se alonga na história dinâmica do jornalismo. A experiência junto à Escola de Dados me permitiu deixar o faro jornalístico mais atento, aprimorado e instrumentalizado. Saber como tornar a linguagem numérica mais apresentável ao público e como deixar as informações mais acessível, foi para mim um dos pontos mais forte do encontro”, destacou Marcelo Ricardo, 28, graduando em Jornalismo na Universidade Federal da Bahia.

Marcelo já integrou a equipe do portal Correio Nagô e tem interesse em desenvolver uma pauta no campo da religiosidade, que contribua no combate à intolerância religiosa. “Tendo o Orixá Exú como palavra-chave, a pauta busca avaliar o embate entre neopentencostais e adeptos de religiões de matriz africana, neste “lorogun” orquestrado pelas desinformações e a mecanização do preconceito enviesado no extermínio da simbologia africana”, explica. 

Dados e Cidadania

Também animada com a experiência de participação no curso da Escola de Dados, Mariana Gomes, 21, destacou a contribuição dessas ferramentas para a produção de novas narrativas cidadãs. “Enquanto estudante de comunicação, participar desse curso ampliou meu horizonte sobre as possibilidades do jornalismo nos dias atuais. Acredito que os aprendizados vão facilitar minha atuação e contribuir na construção de narrativas comprometidas com a cidadania de forma mais qualificada”.

Mariana também cursa a graduação em Jornalismo na Universidade Federal da Bahia e sugeriu uma pauta que relacione as questões raciais e os discursos eleitorais, especialmente nas últimas eleições, por meio das ferramentas de dados. “O objetivo é traçar um mapa nacional das candidaturas negras, de mulheres e suas interseções em comparação com iniciativas atuais como os mandatos coparticipativos, a exemplo da Mandata Quilomba (SP) e Coletivo Juntas (PE), assim como aplicativos de ajuda ao voto como o MeRepresenta e Vote Em Preto”, detalha Mariana.

“A Escola de Dados trabalha para que o uso de dados seja democrático. Isso significa que não só queremos que mais pessoas sejam capazes de tirar informações de dados, mas também queremos que essas pessoas sejam as mais diversas possíveis. Por isso, decidimos, nesse curso, conceder as duas bolsas ao Instituto Mídia Étnica. que tem um trabalho forte na questão racial da Bahia. Ficamos felizes em saber que os aprendizados foram úteis e se transformarão em conteúdos que antes seria impossíveis de ser construídos”, afirma Juan Torres, gerente da Escola de Dados e diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI).

As pautas serão produzidas com apoio dos profissionais do Instituto Mídia Étnica e da Escola de Dados e as matérias serão publicadas no portal Correio Nagô, em novembro, quando se celebra o Mês da Consciência Negra. 

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