Coda.Br 2019 – Como inovar no jornalismo de dados?

A IV Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br 2019) trouxe em seu segundo painel o debate a respeito de inovações na área. No palco, diversos ganhadores do Data Journalism Awards (hoje Sigma Awards), a maior premiação do mundial do jornalismo de dados.

O debate teve participação de Helena Wittlich (Der Tagesspiegel) e Momi Peralta (La Nación), com mediação de Thiago Reis (G1). As discussões abordaram processos de criação de reportagens interativas e o uso de tecnologia no jornalismo de dados.

Assista aqui à playlist completa com os vídeos deste painel, que está disponível no canal da Escola de Dados no Youtube.

O painel foi realizado na noite do dia 23 de novembro de 2019, no auditório principal da Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM (São Paulo). Confira abaixo alguns destaques da sessão e os vídeos na íntegra.

Tecnologia e bem estar social

Helena Wittlich, editora do jornal alemão Der Tagesspiegel,trouxe um experimento prático do uso de jornalismo de dados na área de transporte. O jornal recrutou ciclistas por meio de uma chamada pública e depois selecionou participantes com base em critérios amostrais. Eles acoplaram em suas bicicletas um dispositivo criado pela equipe do jornal para medir a distância dos carros, identificando assim ultrapassagens ou aproximações perigosas para os usuários de bicicleta nas nas ruas de Berlim.

Identificando as bicicletas e indicando precisamente os centímetros que separavam os automóveis de cada uma, a ação – que ganhou uma reportagem em formato longo (longform) – evidenciou a falta de segurança dos ciclistas nas ruas. A distância recomendada de 1,5 metro não foi respeitada em 60% dos casos na capital alemã. Porém, após a publicação da matéria, tornou-se lei respeitar a recomendação de afastamento. 

Além da Alemanha, o Radmesser, como foi chamado o experimento, foi testado na Noruega e Suíça. Wittlich ainda disse que universidades de diversos países procuraram a equipe responsável pelo equipamento para que a experiência fosse expandida.

Abertura de dados

Já Momi Peralta, gerente do projeto La Nación Data, mostrou diversas reportagens interativas publicadas no site do veículo, usando apenas informações divulgadas em sites públicos e de acesso liberado. Porém, mesmo sendo públicas, o difícil acesso às informações eleva a importância do jornal argentino. Momi ressalta: “não é só que fazemos o uso de dados abertos, mas abrimos todos os dados que usamos”.

As reportagens variam desde mapeamento do tráfico marinho na costa argentina até pautas de economia envolvendo preços nos mercados do país. As grandes e renomadas ações, entretanto, ficam no âmbito político, com reportagens usando imagens interativas em 3D com mapeamento de procuras e interações nas redes sociais dos candidatos à eleição presidencial de 2019, por exemplo.

Momi atribui a inovação do processo a abertura dos dados, além do trabalho em equipe. No La Nación Data, por exemplo, mais de 200 pessoas entre funcionários e voluntários ajudaram na construção do projeto e atuam com jornalismo de dados.

* Texto por Murillo Miranda

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