Jornalismo de dados lusófono: experiências em Moçambique, Portugal e Brasil

No dia 14 de abril, a Escola de Dados promoveu mais um webinar do seu programa de membros. O debate foi sobre jornalismo de dados nos países de língua portuguesa e participaram os jornalistas Nelson Mucandze (Moçambique), Rui Barros (Portugal) e Amanda Rossi (Brasil).

Assista aqui à playlist completa com os vídeos deste painel, que está disponível no canal da Escola de Dados no Youtube.

Segundo Mucandze, jornalista da Magazine Independente, o jornalismo de dados ainda enfrenta muitas limitações em Moçambique. Os principais empecilhos incluem a própria indisponibilidade dos dados, pois poucas fontes são abertas e as atualizações, irregulares. Há também a falta de tempo ou conhecimento para jornalistas realizarem investigações com dados, em consequência da falta de recursos humanos das redações.

Iniciada há cerca de 4 anos no país, de acordo com Mucandze, a experiência com o jornalismo de dados é reduzida no país africano. Porém, ele defende a prática: “o jornalismo de dados é uma forma moderna de permitir que o jornalismo resista à evolução da tecnologia e expansão das redes sociais”.

Em Portugal, conta Rui Barros, também são poucos os profissionais que se aventuram na área. Jornalista do Público, Barros explica que, quando se interessam pela área, muitos acabam desistindo por não haver um ecossistema muito vibrante. Isto porque, assim como em Moçambique, há falta de acesso aos dados públicos, além de poucos recursos humanos e financeiros. Rui Barros argumentou também que, pela formação em humanidades, muitos jornalistas têm medo da matemática, o que acaba assustando e não despertando o interesse no jornalismo de dados.

Representando o Brasil, a jornalista Amanda Rossi, que já trabalhou no núcleo de jornalismo de dados do Estadão, apresentou um cenário bem diferente. Na década de 90, o Brasil já tinha Cláudio Weber Abramo como um de seus pioneiros no jornalismo de dados – não à toa que o primeiro prêmio brasileiro na área leva seu nome. Desde então, a prática tem se expandido nas grandes redações, nas redações locais e nos jornais independentes.

Rossi afirma que ONGs e governo, em todas as suas esferas, contribuíram bastante para essa evolução, por meio do crescimento das práticas de transparência e dados abertos. Além disso, ela atribui o fortalecimento da comunidade brasileira a elementos-chave como cursos online, troca entre profissionais e eventos – promovidos fortemente por instituições como Knight Center, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Escola de Dados.

Para a jornalista, o que caracteriza a comunidade brasileira é a defesa da transparência, os dados abertos e a troca de informação. Esta última, acontecendo seja pelos congressos anuais da Abraji e da Escola de Dados, encontros do Cerveja com Dados ou grupos no WhatsApp, é crucial para o compartilhamento de novas técnicas, inspirações e capacitação de novos profissionais.

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