Você está no arquivo de Habilidades.

Grupos de estudos baseados no MOOC de jornalismo de dados apresentam trabalhos

Juan Torres - 22/09/2015 em Blog de dados, Depoimentos, Escola de dados, Eventos, gspreadsheets, Habilidades, Jornalismo de dados

O MOOC “Técnicas Básicas do Jornalismo de Dados”, oferecido pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, chegou ao fim e, com ele, também os trabalhos dos grupos de estudos presenciais da Escola de Dados que aconteceram em Belo Horizonte, Campinas, Recife e Salvador. Confira o que os grupos produziram nas cinco semanas do MOOC.

Grupo de Campinas analisou dados de cursos de pós-graduação no Brasil

Grupo de Campinas analisou dados de cursos de pós-graduação no Brasil

CAMPINAS

Usando técnicas e ferramentas aprendidas durante o curso, o grupo analisou a distribuição dos cursos de pós-graduação no país e os relacionou à população de cada estado. O resultado evidencia a concentração de cursos no Sul/Sudeste do país e está publicado aqui, numa visualização realizada na ferramenta Tableau Public, apresentada durante o MOOC.

“Apesar de ser um curso de técnicas básicas, o MOOC foi robusto em termos de novidades para mim e para a equipe, composta por mais três mulheres”, explicou Edvan Lessa, facilitador do grupo campineiro.

photo_2015-09-22_09-41-22

Grupo de BH recebe a visita de Marco Túlio Pires, instrutor do MOOC

BELO HORIZONTE

Já na capital mineira, o grupo, realizado em parceria com a Lhama.me, trabalhou em cima de dados de doações de medula óssea. O grupo descobriu, por exemplo, o número de mortes por leucemia em cada estado do país. A visualização está aqui, realizada no Infogr.am, outra ferramenta apresentada durante o MOOC.

“No fechamento do projeto ficou a sensação de que o tema suscita outras análises, comprovando que fazer Jornalismo de Dados pode gerar um rico aprendizado, ampliar as fontes de informação e gerar uma grande rede de suporte a todos os segmentos que estudam determinado tema”,  afirmou o grupo, em relato sobre a experiência publicado aqui.

SALVADOR

Na Bahia, o grupo se dividiu em quatro times, que analisaram salários da prefeitura, dados eleitorais, Enem e violência contra adolescentes.

A equipe de eleições (Marcelo Argôlo, Newton Soares e Valana Araújo) descobriu que candidatos homens a deputados federais na Bahia arrecadaram, para suas últimas campanhas, 13 vezes mais, em média, que o valor arrecadado pelas candidatas mulheres. A visualização, também realizada no Infogr.am, está aqui.

Parte do grupo baiano, que teve várias equipes e projetos de jornalismo de dados.

Parte do grupo baiano, que teve várias equipes e projetos de jornalismo de dados.

Já a equipe de violência contra adolescentes (Denivaldo Ribeiro Veloso, Manuela Belém e Ronaldo Cerqueira) usou dados do DataSUS para relacionar o número de jovens vítimas de homicídios com as raças. A planilha pode ser acessada aqui.

A dupla que destrinchou os salários da prefeitura (Everton Santos e Joice Pinho), usou dados no Tribunal de Contas dos Municípios para descobrir os maiores salários pagos na Secretaria Municipal de Saúde de Salvador.

Por fim, o time que se debruçou sobre os dados do Enem de 2014 (Elian Luz, Silvia Caldeira e eu) relacionou os resultados das escolas com seus níveis socioeconômicos e descobriu uma relação direta: quanto maior o nível socioeconômico da escola, melhor o resultado na prova. Fez também uma correlação entre as provas objetivas e de redação. O resultado está aqui, também em Tableau.

PARTICIPANTES POR CIDADE

CAMPINAS
Ana Beatriz Camargo Tuma, Edvan Lessa dos Santos, Josiane dos Santos, Sarah Teófilo Marcelino

BELO HORIZONTE
Camila Gonzaga-Pontes, Daniela Vargas, Fernanda Castro, Igor Antoinne, Júlia Fernandes, Ludmylla Soares, Luíza Chaibb, Raquel Camargo, Thiago Cardoso

SALVADOR
Denivaldo Veloso, Elian Conceição Luz, Everton Santos, Joice Pinho, Manuela Belém, Marcelo Argôlo, Newton Soares, Ronaldo Cerqueira, Silvia Caldeira e Valana Araújo

Flattr this!

Primeira Expedição de Dados no Brasil faz visualizações e análises com base de dados do Walmart

Marco Túlio Pires - 19/10/2013 em Expedições de dados, Fusion Table, Geocodificação, gspreadsheets, Habilidades


Terminou às 18 horas a primeira Expedição de Dados no Brasil. Parte de um esforço global para investigar a indústria têxtil no mundo, o evento contou com a presença de oito participantes no iMasters, que fica na região da av. Paulista, em São Paulo. Ao redor do mundo, outros grupos trabalharam em diferentes tarefas.

Expedição de Dados

Os participantes preencheram fichas a maneira dos jogos de RPG, com suas habilidades para a expedição de dados

O primeiro grupo de exploradores de dados brasileiro foi bem diversificado. Os participantes preencheram uma ficha à maneira dos jogos de RPG incluindo seus níveis de habilidades entre os diferentes tipos explorados na expedição de dados: narradores, analistas, geeks, fuçadores ou designers.

Decidimos trabalhar em uma base de dados de importações do Walmart nos Estados Unidos no último ano com mais de 190 mil linhas. O banco foi levantado pela equipe da Escola de Dados Global, a partir de fontes oficiais americanas. Exportando uma tabela com apenas mercadorias de origem brasileira, descobrimos que o Walmart não recebe tecido daqui, mas:

Quais são os tipos de produtos que mais saem do Brasil e vão para o Walmart, nos EUA? Aço e minério. Entre os produtos também estão lápis de cor, celulose, cera e brinquedos. Também descobrimos que há carregamentos de utensílios domésticos usados, possivelmente remessas de funcionários da empresa de mudança.

Quais são os portos que mais enviam produtos para o Walmart nos EUA?Rio de Janeiro e São Paulo.

Volume de produtos que saem do Brasil e vão para o Walmart nos EUA, por portos

Foi possível também descobrir de onde sai o maior volume em kilos de produtos brasileiros que vão para o Walmart nos EUA. Nenhuma surpresa ser o aço, que sai pelo Rio de Janeiro. Uma das grandes empresas que exportam a matéria prima para lá é a Vallourec & Mannesmann, que aqui no Brasil tem sede em Minas Gerais.

O porto que dá mais escoamento para o Walmart nos EUA é o do Rio de Janeiro por causa do grande volume de aço

Conseguimos também exibir em um mapa os endereços para onde vão as mercadorias brasileiras a pedido do Walmart dos EUA. Os produtos estão por toda a parte.

O principal objetivo da Expedição de Dados é que seus participantes aprendam. Para a Expedição de Dados Global, reportarmos que o Brasil não faz parte da cadeia de produção do Walmart em relação à indústria têxtil, mas isso não quer dizer que nosso trabalho acabou. Decidimos levar a expedição adiante sem saber ao certo onde chegaríamos.

Para descobrir as informações que levantamos usamos uma série de ferramentas gratuitas. Primeiro, usamos o Google Fusion Tables para exportar uma tabela contendo apenas produtos que tiveram sua origem no Brasil. Em seguida, usamos o Google Spreadsheets para criar tabelas dinâmicas e ranquear os portos brasileiros mais movimentados na cadeia de produção do Walmart.

Primeira expedição de dados no Brasil

Primeira expedição de dados no Brasil realizada no iMasters

Por meio dessas mesmas tabelas conseguimos exportar a lista dos endereços para onde as mercadorias brasileiras vão parar nos Estados Unidos. Importando essa lista no Google Fusion Tables e classificando seus dados como “localidade”, acionamos a função de “geocode” do aplicativo e acrescentamos um mapa. Foi assim que conseguimos visualizar os destinos dos produtos brasileiros importados pelo Walmart nos EUA.

Essa foi a primeira Expedição de Dados, mas outras virão. Se você não pôde participar agora, fique ligado em nosso site e lista de emails para saber quando será a próxima! Mesmo que você não possa comparecer fisicamente é possível fazer parte da Expedição de Dados online!

Não deixe de conferir também a nossa página de cursos. Muitas das habilidades trabalhadas hoje estão lá explicadas de maneira clara e simples!

Flattr this!

Rede de Escândalos: visualizando a corrupção no Brasil

Marco Túlio Pires - 08/10/2013 em Blog de dados, Habilidades, Histórias sobre dados, Jornalismo de dados

De tempos em tempos o blog da Escola de Dados publica matérias sobre projetos que se baseiam em dados. Essa semana o blog conversou com designer/programador Thomaz Rezende. Atualmente freelancer, Thomaz fez parte da equipe de infografia digital de Veja.com durante três anos. Foi lá que ele criou a ferramenta de visualização da Rede de Escândalos, um banco de dados que reúne informações sobre escândalos políticos que ocorreram no Brasil desde 1986.

A "Rede de Escândalos" é um apanhado dos principais episódios de corrupção do Brasil, desde 1987

Um apanhado dos principais episódios de corrupção do Brasil, desde 1987

Dois jornalistas e um assistente do site de Veja fizeram o levantamento de todo o conteúdo que hoje existe na Rede de Escândalos. Um programador e um webdesigner desenvolveram uma espécie de linha do tempo à maneira do Facebook para organizar as entradas na ordem em que elas aconteceram. É possível, por exemplo, buscar pelo “Escândalo das privatizações“, em 1997 — que fala sobre a polêmica venda da Companhia Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás por cifras altíssimas –, ou o “Escândalo dos Sanguessugas“, de 2006, que conta sobre um esquema de corrupção envolvendo 87 deputados e três senadores de dez partidos. Todos os episódios mostram descrição, fotos, personagens e material de apoio para ampliar a leitura.

A interface pega emprestado conceitos da linha do tempo do Facebook

A interface pega emprestado conceitos da linha do tempo do Facebook

Apesar da organização, as informações ainda eram vistas de forma linear. Segundo o próprio Thomaz, o objetivo dele foi dar forma ao caos. “[Eu precisava] criar uma maneira lógica de organizar um universo com mais de 300 personagens e mais de 60 escândalos conectados entre si”, disse. A ideia era permitir o leitor agrupar os acontecimentos com critérios interativos e acessar detalhes de um item isoladamente.

Trabalhando nas horas vagas ao longo de oito meses, Thomaz lançou mão da geometria para dar a ordem que precisava. Agrupar os personagens em círculos concentricos exigiu uma série de cálculos. Quantos personagens ocupariam cada grupo? Quantos círculos seriam necessários para acomodá-los e distribuí-los de forma harmônica? Essas foram algumas das perguntas que ele tentou responder.

rede-escandalo-veja-tela-principal

Tela principal do infográfico da “Rede de Escdândalos”

O infográfico foi inteiramente desenvolvido em Flash junto com uma biblioteca chamada tweenMAX, para automatizar as animações. O restante foi feito na “unha”, segundo Thomaz, para ter maior controle sobre o desempenho final do sistema. “Sabendo que eu poderia ter situações com mais de 400 objetos na tela, procurei resolvê-los da maneira mais econômica possível, evitando uso de efeitos desnecessários”.

A visualização permite exibir as relações entre personagens e episódios

A visualização permite exibir as relações entre personagens e episódios

O designer aproveitou parte do que aprendeu desenvolvendo o infográfico da Rede de Escândalos para fazer outro projeto, dessa vez para o Repórter Brasil. “Embora seja muito mais simples visualmente, utilizei o mesmo raciocínio”, disse. “Temos uma visão inicial com todos os itens, uma filtragem de conexões no clique e ferramentas de ordenação de grupos”. A única diferença é que o designer abandonou o Flash. “Esse novo infográfico é inteiramente em html-css-javascript”, que, ao contrário do Flash, são tecnologias compatíveis com múltiplas plataformas, como tablets e smartphones.

bancada-empreitada-info

O infográfico “Bancada empreiteras” reaproveita conceitos usados na “Rede de Escdândalos”

De acordo com Thomaz, a ferramenta poderia ser ampliada com a criação de recursos de compartilhamento do conteúdo, que permitam qualquer usuário inserir o painel em seu website pessoal. “Futuramente, seria possível também desenvolver um aplicativo para tablets com o painel interativo e todo o conteúdo da rede.”

Flattr this!

Participe da lista de discussão