Keynote: Como tecnologia e jornalismo podem trabalhar juntos em prol de mais transparência

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SOBRE O KEYNOTE

Não há dúvidas de que a Internet revolucionou o modo como consumimos e produzimos informação. Para o jornalismo, essa mudança significou também uma transformação em sua indústria, seu modelo de negócios e na distribuição de notícias. Mas nos bastidores da apuração jornalística, essa revolução não foi tão expressiva. Por isso, no keynote do primeiro dia (8/11) da VI Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br 2021), Jim Albrecht lançou a pergunta: por que a tecnologia não transformou o jornalismo?

Diretor dos produtos do ecossistema de notícias na Google, Albrecht explica que os recursos online tornaram algumas atividades mais convenientes, é claro. Ferramentas de busca, como o próprio buscador da Google, oferecem grandes facilidades. Por outro lado, ele destaca que tarefas como buscar fontes, acessar documentos e encontrar conexões entre pessoas e organizações, seguem sendo realizadas da mesma forma por jornalistas.

Segundo ele, vivemos numa era de desconfiança nas instituições – o que inclui empresas de tecnologia e a imprensa também. A cada ano que passa, há menos consenso sobre o que é verdade, quais são os fatos autênticos e quem é confiável para reportá-los. “Em um momento como este, é imperativo que as instituições trabalhem juntas para entender a natureza do problema e construir novas estruturas de transparência, para oferecer mais clareza aos cidadãos, para que supervisionem seus governos e também as próprias instituições”, defende Albrecht.

Como a indústria da tecnologia pode então otimizar o trabalho jornalístico? Segundo o representante da Google, jornalistas não devem perder tempo fazendo tarefas que poderiam ser realizadas por máquinas, mas sim direcionar seus esforços para procurar conexões significativas no produto dessas operações automatizadas. Albrecht afirma que “o reconhecimento de formas, padrões, objetos e entidades é o forte dos computadores; o reconhecimento de sentido cabe ao intelecto humano. E os repórteres devem fazer a segunda coisa, não a primeira”.

Novas tecnologias para a prática do jornalismo

Nesse sentido, uma das iniciativas conduzidas pela Google foi o lançamento do Pinpoint, uma ferramenta de pesquisa para auxiliar jornalistas a explorar e analisar grandes coleções de documentos. Seu objetivo é poupar tempo e esforço, para que os jornalistas possam focar em suas histórias.

O Pinpoint suporta não só documentos no formato PDF como também arquivos de imagem, áudio, e-mail e muito mais. A ferramenta permite a busca avançada de termos nos arquivos, além da identificação de pessoas, locais e organizações utilizando o grafo do conhecimento (Knowledge Graph) do Google, a extração de texto de documentos escritos à mão e a transcrição de arquivos de áudio.

No Brasil e nos Estados Unidos, o Pinpoint oferece coleções curadas por parceiros da Google na iniciativa. Um deles é a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que inseriu o relatório final da CPI da Covid na ferramenta. Recentemente, a Abraji também disponibilizou coleções com as transmissões ao vivo do Presidente Jair Bolsonaro no Youtube, currículos de servidores comissionados do governo federal e relatórios de fiscalização da Controladoria-Geral da União (CGU). Essas coleções estão abertas ao público geral, porém, para obter acesso integral à ferramenta, os jornalistas devem requisitá-lo à Google.

Em conversa com o coordenador do Google News Initiative no Brasil, Marco Túlio Pires, que mediou o keynote, Albrecht revelou os planos para o futuro do Pinpoint. A ideia é introduzir ferramentas para anotação nos documentos e extração de dados estruturados, além de refinar a ferramenta de transcrição de áudio para torná-la mais direcionada à transcrição de entrevistas.

Colaboração entre jornalismo e tecnologia – e entre jornalistas

Jim Albrecht reforça que o objetivo final de trazer mais transparência para a sociedade pode ser alcançado pela colaboração entre a indústria da tecnologia e as agências de notícias, mas também entre as próprias agências. Como exemplo ele citou o Pandora Papers, que tratou de um grande vazamento de documentos confidenciais sobre empresas em paraísos fiscais. Publicada a partir de 3 de outubro de 2021, a investigação é a maior colaboração jornalística da história e contou com mais de 600 jornalistas, em 117 países e territórios, liderados pelo  Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês).

Por isso, ele lembra que o Pinpoint permite também o compartilhamento de arquivos entre os jornalistas. E conclui: “A única forma de sairmos da dúvida da desordem que assola o mundo, quando não sabemos em quem confiar, é fazer um esforço para mostrar o nosso trabalho”.

Segundo Albrecht, a colaboração favorece um cenário onde todo mundo sai ganhando: as novas tecnologias empoderam as agências de notícias, reduzindo o custo da produção; as agências garantem o abastecimento do buscador da Google com conteúdo de alta qualidade; o modelo de negócios segue funcionando e o público segue bem informado.

DURAÇÃO

1:30h

Referências da atividade

jim

 

Jim Albrecht

Jim Albrecht dirige produtos do ecossistema de notícias no Google, incluindo Google News Showcase; Inscreva-se com o Google; o projeto de experimentos locais do Google News Initiative; e Google Trends, Pinpoint e outros produtos destinados a tornar jornalistas e organizações de notícias mais eficazes e eficientes.

Antes do Google, Jim trabalhou em vários cargos na interseção de mídia digital e software. Ele executou o desenvolvimento de aplicativos de software para a divisão Samsung SmartTV, personalização de notícias na AOL e desenvolvimento de produtos de banda larga na Excite @ Home.

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Marco Túlio Pires

Diretor do Google News Lab no Brasil, lidera parcerias com a indústria jornalística nas áreas de tecnologias emergentes, desinformação e diversidade. Formado em Comunicação Social pela UFMG, co-fundou a Escola de Dados no Brasil e foi o diretor internacional da School of Data. Trabalhou no governo do estado de São Paulo na secretaria de Desenvolvimento Social com inovação, transparência e tecnologia. Escreveu o primeiro manual de dados abertos do governo de São Paulo e fundou a primeira startup de jornalismo de dados do Brasil, a J++ São Paulo.

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