Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados

SOBRE A CERIMÔNIA

A sexta Conferência de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br) encerra, pelo terceiro ano consecutivo, consagrando trabalhos que representaram o mais alto nível do uso de dados para fins jornalísticos. A cerimônia foi apresentada pela jornalista e comentarista na GloboNews, Flávia Oliveira, e contou com a participação de Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da Open Knowledge Brasil, e de representantes dos projetos finalistas.

Flávia Oliveira destacou a diversidade de temas da edição e reforçou a importância de trabalhos jornalísticos relevantes, como os escolhidos na premiação, para a defesa dos pilares democráticos. “Aqui está um conjunto de trabalhos a serviços da democracia, dos direitos humanos e da liberdade”, disse durante a apresentação. 

Neste ano, o Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados mudou sua dinâmica e deixou de adotar a divisão por categorias na premiação. Além disso, pela primeira vez um trabalho foi contemplado com menção honrosa. Dos 14 finalistas, seis projetos, desenvolvidos pelos veículos Núcleo Jornalismo, UOL, Revista AzMina, InternetLab, Alma Preta, Data_Labe, Folha de São Paulo e InfoAmazônia, levaram o prêmio para a casa. 

A jornalista Flávia Oliveira destacou também o caráter colaborativo e inovador comum a todos os trabalhos finalistas. Ela comentou que, muitas vezes, a produção jornalística não é reconhecida como inovadora. No entanto, os finalistas tornaram a inovação evidente em seus projetos. Oliveira ainda reforçou que o jornalismo é um projeto coletivo: “Jornalismo não se faz sozinho. E é muito bom saber que o jornalismo brasileiro está se empenhando em reunir tantas pessoas para produzir reportagens, bases de dados e metodologias para produzir informações de qualidade e ferramentas da democracia”.

Conheça os vencedores

Monitor Nuclear, do Núcleo Jornalismo

Premiada com menção honrosa, o Monitor Nuclear é uma ferramenta voltada para monitoramento de perfis relevantes no Twitter. Ela permite a identificação de assuntos em alta na rede. O júri destacou o rigor e transparência na metodologia, além da acessibilidade, por se tratar de uma ferramenta gratuita de código aberto. 

Lucas Gelape, representante do veículo na premiação, falou sobre o significado do troféu para a equipe. “O princípio da transparência nas nossas apurações e no nosso jornalismo é o que guia o trabalho do Núcleo de forma geral. A gente tem isso no coração do nosso veículo.” 

Autoria: Sérgio Spagnuolo, Lucas Gelape, Felippe Mercurio, Renata Hirota, Lucas Lago, Rodolfo Almeida, Jade Drummond e Alexandre Orrico

Anatomia da rachadinha, do UOL

Um dos primeiros trabalhos do Núcleo Investigativo do UOL, a série de reportagens investigou, a partir de quebras de sigilo bancário, o esquema ilegal conhecido como “rachadinha” no gabinete de Jair e Carlos Bolsonaro. O júri destacou o enorme alcance e impacto do trabalho na sociedade, além da dimensão ambiciosa da investigação e o uso de novos formatos na criação da narrativa. 

Amanda Rossi, uma das repórteres envolvidas no projeto, enfatizou a importância da determinação da Justiça de quebra de sigilo bancário para que o trabalho com dados fosse possível. “A gente mergulhou a fundo nessas quebras de sigilo”, disse. 

Autoria: Amanda Rossi, Flávio Costa, Gabriela Sá Pessoa, Juliana Dal Piva, René Cardillo, Leonardo Rodrigues, Marcos de Lima, Marcos Sergio Silva, Gisele Pungan.

MonitorA, da Revista AzMina e InternetLab 

Com o objetivo de analisar a violência política contra candidatas em diferentes redes sociais, o  projeto MonitorA coletou mais de dois milhões de comentários feitos nas redes sociais durante as eleições de 2020. Para a comissão julgadora, o trabalho apresentou uma “abordagem original, completa, relevante e com grau de complexidade raro nos trabalhos jornalísticos guiados por dados”. O júri também destacou o uso de redes sociais diversas na coleta de dados, o que permitiu um panorama mais amplo sobre o debate no universo digital. 

Pelo segundo ano consecutivo, a Revista AzMina vence o Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados. Segundo Bárbara Libório, gerente de jornalismo do veículo, o projeto deste ano mostra um novo ângulo sobre a dinâmica da mulher em espaços políticos. “O ‘Elas no Congresso’ [projeto vencedor no ano passado] mostra como é importante ter mulheres nesses espaços e o ‘MonitorA’ mostra como é difícil que elas cheguem lá.”

Autoria: Bárbara Libório, Helena Bertho, Carolina Oms, Thais Folego, Jamile Santana, Larissa Ribeiro, Carolina Herrera, Mariana Valente, Fernanda Martins, Alessandra Gomes, Blenda Santos, Catharina Pereira, Jade Becari, Sérgio Spagnuolo, Renata Hirota, Yasmin Curzi, Katia Brasil, Roberta Brandão, Nay Jinkss, Juliana Costa, Camila Souza, Laércio Portela, Ana Beatriz Felício, Halitane Rocha, Lucas Rodrigues, Lucas Veloso, Morgani Guzzo, Inara Fonseca, Juliana Rabelo, Vandreza Amante, Paula Guimarães, Beatriz Lago, Karoline Gomes, Andreza Miranda, Jordânia Andrade, Maira Monteiro, Moisés Teodoro, Sofia Leão, Thiago Ricci, Vitor Fernandes, Vitor Fórneas.

Existe uma Wakanda da política brasileira?, do Alma Preta e Data_Labe

Partindo de uma análise dos municípios que tiveram maior número de candidaturas negras nas eleições de 2016, o trabalho investigou as razões para uma maior representatividade nestas regiões. O júri destacou a originalidade do projeto, desde o formato até a construção da narrativa, e considerou que o trabalho “traz uma perspectiva inovadora para o uso de dados abertos demográficos e eleitorais no Brasil”. De acordo com a comissão julgadora, “o projeto reúne três dimensões fundamentais para pensarmos a democracia brasileira: população negra, representatividade e distribuição dos recursos de financiamento das campanhas”. 

Representando Alma Preta e Data_Labe, Paulo Mota se emocionou com a conquista e destacou o desenvolvimento do trabalho por parte de dois veículos periféricos, com atuação dentro da comunidade da Maré, no Rio de Janeiro. “Nós, enquanto agências independentes de jornalismo compostas por uma equipe super diversa, representamos muito ao sermos nomeadas e ganharmos.”

Autoria: Elena Wesley, Gabriele Roza, Paulo Mota, Estephany Nunes, Samantha Reis, Fred Giaccomo, Giulia Santos, Nicolas Noel, Vinicius Araujo e Yago Rodrigues

Inocentes presos, da Folha de S. Paulo

Um raio-X do sistema carcerário brasileiro, que escancara o perfil (e a cor) das vítimas de reconhecimentos errados na Justiça. Para o júri, o projeto faz um trabalho importante de organização de dados que até então não havia sido feito. Além da originalidade, a comissão julgadora destacou que “impacto e profundidade são as marcas dessa série de reportagens”. 

Artur Rodrigues, repórter do projeto, apontou a importância do papel do jornalismo de dados em “constranger as autoridades”. Rodrigues também incentivou a busca por mais transparência no sistema Judiciário, que, segundo ele, é “o menos transparente dos Poderes”. 

Autoria: Artur Rodrigues, Rogério Pagnan, Rubens Valente, Henrique Santana, Karime Xavier, Luciano Veronezi, Pilker, Thiago Almeida

Engolindo fumaça, do InfoAmazônia

Indicado por unanimidade pelo júri, o projeto faz um cruzamento entre os dados de qualidade do ar durante o período de queimadas na Amazônia na pandemia com o agravamento de sintomas respiratórios na população local. De acordo com a comissão julgadora, o projeto é “um trabalho espetacular”. Foi destaque a colaboração de uma equipe interdisciplinar, uso de técnicas diversas como análise de imagens de satélite, modelagens estatísticas e outras, além da originalidade ao estabelecer um elo entre dados de meio ambiente e de saúde pública. 

Juliana Mori, coordenadora do projeto, comentou sobre o desafio de fazer o trabalho nascer. “A gente sabia aonde queria chegar, os dados que queríamos investigar, mas foram meses e meses descobrindo caminhos”, disse.

Autoria: Juliana Mori, Renata Hirota, Eduardo Geraque, Felipe Barros, Sonaira Silva, Tatiane Moraes, Guilherme Guerreiro Neto, Juliana Arini, Leandro Chaves, Camilo Estevam, Rebeca Navarro, Lucas Lobo, Leandro Amorim, André Hanauer, Erlan De Almeida Carvalho, Erico Rosa, Guilherme Lobo, Robson Klein Ramon Aquim, Dell Pinheiro, Laiza Lopes, Laura Sanchez, Tony Gross

Confira os demais finalistas

As pensões e os bilhões da família militar, da revista piauí

Aborda a imoralidade dos bilhões de reais pagos em pensões a parentes de servidores civis e militares que já morreram.

Autoria: Taís Seibt, Bernardo Baron, Maria Vitória Ramos e Renata Buono

Bolsonaro não usou um terço dos recursos aprovados para políticas para mulheres desde 2019, da revista AzMina

Traz uma análise sobre os recursos que o governo deixou de aplicar nos últimos anos.

Autoria: Giovana Fleck e Naira Hofmeister

Brasil registra duas vezes mais pessoas brancas vacinadas que negras, da Agência Pública

Aborda as diferenças raciais na aplicação da primeira dose das vacinas contra Covid-19 no Brasil.

Autoria: Bianca Muniz, Bruno Fonseca, Larissa Fernandes, Rute Pina

O ‘carro da linguiça’ e outras chacinas sobre rodas que exterminam a periferia e o governo ignora, do The Intercept Brasil

Aborda as estatísticas de um padrão de chacinas realizadas em todo Brasil.

Autoria: Gabrielli Thomaz, Mayara Mangifeste, Carlos Nhanga, Cecília Olliveira

O Facebook não morreu, do Núcleo Jornalismo

Mostra as tendências de crescimento do relacionamento em grupos na rede social.

Autoria: Alexandre Orrico, Rodolfo Almeida e Sérgio Spagnuolo

Onde vai parar o lixo reciclável, do Metrópoles

Traz os resultados da investigação sobre os caminhos traçados pela coleta seletiva no Distrito Federal.

Autoria: Lucas Marchesini, Lilian Tahan, Priscilla Borges, Otto Valle, Olívia Meireles, Juliana El Afioni, Gui Prímola, Marcos Garcia, Gabriel Foster, Daniel Ferreira, Michael Melo, Igo Estrela, Rafaela Felicciano, Allan Rabelo, Daniel Mendes, Italo Ridney e Saulo Marques

Telegram, o novo refúgio da extrema direita, do Núcleo Jornalismo

Relata para onde os discursos de políticos extremistas têm migrado diante das políticas contra desinformação das maiores redes sociais.

Autoria: Sérgio Spagnuolo, Renata Hirota, Felippe Mercurio, Lucas Gelape, Rodolfo Almeida e Alexandre Orrico

Um ano depois, assassinatos durante motim da PM seguem sem esclarecimento, do O Povo

Traz um levantamento sobre os homicídios ocorridos em Fortaleza entre fevereiro e março de 2020.

Autoria: Lucas Barbosa de Araújo

DURAÇÃO

2:00h

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Flávia Oliveira

Formou-se em Jornalismo pelo Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (Iacs-UFF/RJ), em 1992. Especializou-se na cobertura de temas socioeconômicos, e começou a carreira de repórter no Jornal do Commercio (RJ), em 1992. É comentarista da GloboNews, colunista de O Globo e CBN, e podcaster no Angu de Grilo.

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