Guia para guias

A escola de dados ensina técnicas com dados por meio da exploração. Acreditamos que a melhor maneira de aprender é trabalhar com conjuntos de dados que possuam relevância para você. Estamos em busca de pessoas com um profundo interesse em um determinado assunto ou que tenham habilidades específicas em programação, análise, aferição de dados, design ou visualização de dados para trabalhar com uma equipe e guiá-la por uma investigação baseada em dados.



O mundo dos dados é vasto e, em grande medida, inexplorado e você, bravo explorador, encontra-se liderando uma expedição para alcançar seus picos. Como o povo da etnia sherpa em expedições reais, o guia tem um papel essencial na manutenção de uma expedição.

O guia garante que ninguém fique preso em becos sem saída ou seja soterrado por avalanches (de dados ou e-mail) e vê que sua equipe chegue ao topo.

Este documento contém dicas e truques para manter uma expedição. Para mais informações sobre as próprias expedições veja a página Expedições de Dados.

O Guia

O Guia é uma função importante em expedições de dados. Embora a maior parte da expedição seja moldada pelos seus participantes, o guia vai acrescentar ao sucesso e às experiências do grupo. Como guia, você terá inúmeras responsabilidades:

  • Esboçar e redigir uma busca
  • Recrutar pessoas para sua busca
  • Escolher a forma de se organizar (online)
  • Apresentar a primeira missão e definir as funções
  • Dar início às apresentações e quebrar o gelo
  • Cuidar para não deixar ninguém para trás
  • Manter os exploradores no caminho
  • Manter a confiança elevada.

Como se tornar um guia?

Existem dois tipos de expedições de dados: online e offline. Não há requisitos mínimos em termos de níveis de habilidade, embora ajude ter conhecimento na área em que se está explorando ou alguma experiência em trabalhar com dados. O único requisito mínimo é que você possa se comprometer com a expedição do início ao fim, de modo a não deixar seus parceiros de expedição presos na montanha!

Online

Para propor uma expedição online, basta sugerir um tema na lista de discussão da Escola de Dados ou entrar em contato conosco (escoladedados [arroba] okfn [ponto] org) para que possamos te ajudar na organização.

Offline

Para expedições offline, muito da mesma orientação aplica-se a expedições online. Além disso, reunimos um pacote simples para ajudá-lo a formar os grupos e identificar as funções. Ele é baseado em torno do jogo de RPG “Dungeons and Dragons” (D&D) (no caso de você estar se perguntando para que serve a imagem do dragão). Em jogos de RPG, como D&D, a importância de ter clareza de papéis é fundamental, que é exatamente o que estamos tentando recriar aqui.

Para começar uma expedição offline, você também vai precisar de cartolinas, canetas coloridas e folhas adesivas para notas (como post-its).

A expedição

Se já tem em mente o tema que vai abordar, você está pronto para começar. Você pode escolher um nome divertido para o seu grupo e dar um ar de descontração à atividade. As próximas tarefas serão as principais da sua expedição.

Fase 1: Preparando o terreno e recrutando participantes

Se você estiver organizando uma expedição online, é muito importante definir de antemão uma forma efetiva de se comunicar com o grupo. Nossa experiência prévia mostra que decidir isso durante a atividade pode fazer o grupo perder tempo discutindo sobre ferramentas de comunicação, o que não é o foco.

Certifique-se de que a ferramenta escolhida é apropriada para o grupo (se você estiver em um grupo de desenvolvedores, Github pode ser a mais adequada. Se não for o caso, escolha um meio de se comunicar que não exclua nenhum participante).

Observações sobre a organização de grupos online

Todos os métodos abaixo já foram utilizados em expedições anteriores. Se você tiver alguma outra ideia, mande pra gente!

  • Grupo no Google Plus Groups (público ou privado)
  • Google Docs
  • Github (para programação)
  • Listas de e-mail lists (podemos te ajudar a criar uma lista de e-mail para seu grupo)
  • Google Hangouts / Skype
  • Encontro presencial (Obviamente não vai ser possível para todos, mas é interessante se puder acontecer…)
  • Hackpads / Etherpads
  • Doodle para marcar os encontros

Observações sobre a duração das expedições online

Decida quanto tempo vai levar a sua expedição e passe essa informação de forma clara aos participantes. As expedições podem durar o quanto você quiser.

Até agora, temos limitado as expedições online a até 3 semanas para obter um equilíbrio entre ter o tempo necessário para uma participação mais ampla e manter a energia e o foco no trabalho com os dados, mas fique à vontade para experimentar!

Observações sobre o tamanho do grupo

Tente encontrar o tamanho ideal do seu grupo:

  • Grupo grande – maior probabilidade de ter todos os conhecimentos necessários, mas maior risco de que os participantes não se sintam com uma função específica.
  • Grupo pequeno – gama de habilidades não tão ampla, mas maior probabilidade de manter um foco

Em expedições presenciais anteriores, tivemos grupos de cerca de 8 pessoas. Para as online, (aumenta a chance de desistências ao longo do tempo), escolhemos grupos maiores, de 20 a 45 pessoas. Os grupos maiores foram os que produziram resultados mais visíveis, mas as pessoas também disseram sentir menos que tinham um papel definido no grupo, enquanto em grupos menores algumas vezes faltava massa crítica para tirar a expedição do papel.

Observações sobre dinâmica de grupo e trabalho em equipe

É importante que, ao selecionar um assunto para seu evento, você pense cuidadosamente em quem gostaria que participasse. Algumas coisas para pensar sobre a sua expedição:

  • É melhor escolher um grupo de pessoas que já conheça previamente o tópico que será trabalhado ou você saberá como guiar pessoas que são totalmente leigas no assunto? Se for pela segunda opção, pense em ter uma espécie de introdução, apresentação, vídeo ou convidado para explicar o assunto aos participantes.
  • É melhor ter uma variedade de níveis de habilidade com dados ou definir um nível específico? Recomendamos que os eventos tenham pessoas de perfis e conhecimentos variados, para que elas possam aprender umas com as outras.

Observações sobre o recrutamento

Pode ser útil criar algum tipo de processo de inscrição para sua expedição. Além de conhecer previamente os participantes, quando as pessoas precisam investir um pouco de tempo para participar, elas acabam mais estimuladas a não abandonar o barco.

Fase 2: Apresentações, divisões de tarefas e formação de grupos

A rodada de apresentação tem dois propósitos:
1. oferecer uma visão geral dos participantes e suas habilidades (ATENÇÃO: Não se esqueça de pedir para que digam o nível que consideram estar no uso de dados)
2. quebrar o gelo entre os participantes. Ter um espaço para que todos possam falar e se apresentar ajuda na comunicação depois.

Em expedições online , a apresentação pode ser complicada.

Como os grupos costumam ser maiores, fazer uma sequência de apresentações por e-mail pode não ser muito adequado. Outros métodos que sugerimos que você utilize:

  • Google Hangouts – apresentações em vídeo!
  • Peça para as pessoas fazerem um gráfico ou diagrama simples para apresentar os principais fatos sobre elas
  • E-mails para apresentar as pessoas por nome, dizer o que fazem e de onde são e de que forma querem ajudar e o que gostariam de aprender
  • Use Firestarter para perguntas. Veja nosso examplo (em inglês).

Definindo funções

Agora é a parte complicada. Você precisa garantir que todos no seu time tenham uma função. Nós geralmente deixamos as pessoas escolherem. É importante que elas saibam tanto por onde começar quanto que a presença deles é essencial para o sucesso do projeto. Nas nossas expedições presenciais tentamos classificar as funções da seguinte forma:

  • Narradores – Pessoas que são boas em definir ângulos interessantes para serem explorados e conseguem se conectar com a audiência. Os narradores são vitais para definir a questão e compilar os relatórios finais.

  • Batedores – Os batedores são aqueles que “caçam” os dados ao redor da web. Eles podem ser técnicos ou não, dependendo do quão difícil seria obter os dados desejados (por exemplo, se é fácil fazer o download ou se seria preciso fazer uma raspagem de dados etc).
  • Analistas – Analistas são aqueles que vão mastigar os dados encontrados pelos batedores e testar hipóteses levantadas pelos narradores.
  • Engenheiros – Os engenheiros compilam os resultados finais com a ajuda do grupo. Normalmente são pessoas mais técnicas, mas não necessariamente programadores. Já vimos muitos resultados legais compilados por pessoas que sabem usar ferramentas que já estão disponíveis por aí.
  • Designers – Os designers embelezam a visualização dos resultados e garantem que realmente exista uma história por trás dos dados. Observação: uma representação em papel de como você gostaria de visualizar seus resultados tem a mesma validade de um gráfico completo e interativo produzido por um programador/designer (muitas vezes até serve de um precursor de um recurso interativo).

Esta classificação é apenas orientativa, sinta-se livre para adaptá-la!

Quando os papeis estiverem definidos, você pode fazer uma pequena descrição sobre cada um deles, com algumas tarefas-chave. É claro que você não conseguirá determinar todas — expedições são necessarimente imprevisíveis, mas dê às pessoas um ponto de partida!

Formando pequenos grupos

Deixe que as pessoas definam um papel no qual elas não tenham tanta segurança, mas que elas queiram saber um pouco mais sobre o assunto. Você pode colocá-las para acompanhar alguém que tem mais conhecimento nessa área. Apesar de ser um pouco mais complicado de se fazer online, estimule a proximidade e a curiosidade do grupo.

Apresente o processo da expedição

Faça uma apresentação a todos sobre o processo envolvido na expedição e explique quais são os papeis. Deixe claro que o objetivo é produzir alguma coisa no fim, seja um post de blog, uma visualização ou um monte de anotações em post-its — não seja específico, deixe a criatividade ser cultivada no grupo!

Fase 3: Sinal verde para a expedição! Encontre seu viés…

Peça aos narradores que pensem em uma questão e coloque-os para falar com os batedores e analistas sobre onde os dados podem ser encontrados.

Para expedições offline, você vai precisar de muitos post-its nessa parte. Se for online — confira as ferramentas sugeridas acima para formas criativas de se fazer um brainstorm. Essa é uma das fases mais difíceis da expedição e você provavelmente vai ver que muitos ângulos não chegam a lugar algum, o que significa que vocês voltarão à estaca zero.

Tente colocar um limite de tempo nessa parte, para que as outras fases possam começar. Vocês podem voltar e revisar a Fase 3 posteriormente.

Fase 4: Encontre e analise os dados

Definido o viés da expedição, deixe que os analistas e os batedores busquem pelos dados ou formas de encotrá-los. É possível encontrar dados que respondam aquela questão em particular? Nessa fase, os narradores podem começar a documentar o progresso da expedição para o relatório final.

Fase 5: Narre a história

Deixe que os designers e engenheiros observem as conversas que já estiverem acontecendo de modo que eles possam definir como seria possível apresentar a informação e participar das discussões… Observação: você pode optar por não ter engenheiros ou designers — nós não especificamos quais devem ser os resultados de uma expedição. Pode ser que os narradores optem por apresentar a história na forma de uma narrativa… Vale tudo!

Fase 6: Encerrando

Deixe que todos documentem a expedição que tiveram, as avenidas pelas quais tentaram e falharam por algum motivo, o que funcionou, quais origens de dados encontraram e quais ferramentas usaram. São atitudes importantes para gerar registros que outras pessoas podem dar prosseguimento posteriormente. Servem também para ensinar outras pessoas como uma expedição de dados pode ser conduzida.

Compartilhe suas conquistas! Mande um email para escoladedados [arroba] okfn [ponto] org e conte o que conseguiu. Teremos prazer em espalhar a notícia e publicar os resultados no blog da Escola de Dados!

Ideias para manter as expedições em atividade:

Manter as expedições em atividade é difícil. Algumas vezes os participantes ficam aborrecidos por não conseguirem chegar em lugar algum com as informações que receberam ou porque nada aconteceu desde a última vez que você interagiu com o grupo… Aqui vão algumas ideias para manter as expedições em atividade:

  • Promova videoconferências/conversas em áudio — encontros regulares vão ajudar a construir o espírito do grupo
  • Faça mini-sprints — “Nos próximos cinco minutos queremos…” ou “Vamos fazer X em uma hora
  • Comunique-se mais — faça perguntas, dê dicas, mostre a sua empolgação
  • Se estiverem encontrando offline — façam uma pausa. Respirem, façam exercícios físicos

Tome cuidado com algumas coisas

  • Você vai perceber um pouco de atrito, quase inevitável, particularmente em expedições online. O que pode ajudar é ter algumas etapas para reagrupar e mostrar quem ainda está dentro do projeto. Se o atrito for tal que não há condições para continuar com a expedição — algumas vezes as pessoas se cansam ou ficam ocupadas demais — fale com a gente, vamos tentar encontrar um meio-termo.
  • Clareza nunca é demais. Os membros do seu grupo precisam saber onde as coisas estão, em qual fase a expedição está, onde encontrar as informações. Em caso de dúvidas, o mantra “Defina o que fazer, quem vai fazer e quem fez o quê” pode ajudar.

Se você estiver planejando uma expedição de dados, conte pra gente!

… Vamos te ajudar a divulgar o evento. Também adoraríamos saber como foi sua experiência de organizar uma expedição de dados para nos ajudar a melhorar este guia. Esperamos seu contato!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *