Agenda climática: como dados podem pautar discussões relevantes

SOBRE O WORKSHOP

Texto por Jefferson Sousa

 

Juliana Mori iniciou a oficina apresentando o InfoAmazonia, organização que utiliza dados, mapas e reportagens geolocalizadas para contar histórias sobre a Amazônia nos nove países da região. Na perspectiva do trabalho de geojornalismo feito pelo InfoAmazonia, a instrutora questionou “por que usar dados geográficos no jornalismo?”. De pronto, a resposta foi que a visualização de dados e mapas é uma forma de mostrar as mudanças que acontecem em determinado lugar e é a partir disto que se iniciam as buscas pelos porquês. 

Juliana falou sobre a importância da análise dos dados, chamando de “jornalismo de evidência”. Usando como exemplo a matéria Se fosse um país, a Amazônia seria o 9º maior emissor de gases de efeito estufa do PlenaMata, ela abordou o motivo da análise de dados ser uma forma eficiente de fazer jornalismo pautado em evidências, por ter uma abordagem objetiva e precisa, trazer novas informações para pautar discussões relevantes, etc. “Quando se trata de clima, fuja do jornalismo declaratório!”, aconselhou.

Juliana passeou pelas principais ferramentas de código aberto, para detalhar como o InfoAmazonia registrou suas histórias com o auxílio de dados abertos. Foram várias as experiências de matérias jornalísticas baseadas em dados produzidas pela organização, que impulsionaram a opinião pública e até pautaram veículos nacionais de referências. 

 

 

Ao longo do workshop, os participantes puderam conhecer não só como as bases de dados do Brasil funcionam, como também de outros países, a exemplo de uma da Europa que foi utilizada no especial “Inimigos invisíveis: fumaça das queimadas agrava Covid-19 na Amazônia”. Além desse especial, Juliana descreveu como os jornalistas de todo o mundo utilizam diversas bases de dados disponíveis gratuitamente na internet para ampliar sua pauta, destacando como as ferramentas de software livre dão um novo tom ao jornalismo investigativo.

Durante a apresentação, foram mostrados exemplos de ferramentas digitais gratuitas como o QGIS. Em especial, foi detalhado como o QGIS pode servir desde a pré-pauta até a finalização da matéria jornalística de dados. Além do QGIS, o site TerraBrasilis também foi dado como exemplo. Para facilitar na busca por bases de dados brasileiras, Juliana indicou o catálogo organizado durante o curso Jornalismo de Dados Ambientais: no rastro do desmatamento da Amazônia, oferecido pelo InfoAmazonia em parceria com a Escola de Dados.

 

 

Juliana finalizou o workshop detalhando como o MapBox, outra ferramenta digital, é indispensável na produção e divulgação de dados numa matéria jornalística, de forma que o leitor possa visualizar e entender de forma mais clara o que a matéria quer passar. Ela finalizou indicando atenção ao design dos gráficos, que deve estar alinhado com o tema e sem poluição visual, sob risco de afastar o leitor.

REFERÊNCIAS

juliana-mori

Juliana Mori

Juliana Mori é jornalista especializada em produções audiovisuais e visualização de dados geoespaciais. Cofundadora e diretora editorial da InfoAmazonia. Graduada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, mestre em Artes Digitais pela Universitat Pompeu Fabra (UPF), Barcelona.

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