Produção de dados para geo-histórias e redes

SOBRE O painel

Este painel abordou a produção de dados para geo-histórias e redes. Sob mediação de Henrique Parra, da Lavits, a atividade contou com a presença de Edilma Prada, da Agenda Propia, Mariane Castro, do Observatório do Marajó, e Marlus Araujo, da Documental/Lavits.

“Geo-histórias são narrativas que documentam e tornam visíveis os conflitos, lutas e modos de vida desde a perspectiva do território onde se situam, ao mesmo tempo em que buscam tecer dados para construir conexões entre coletivos, experiências e lugares”, explicou Henrique.

A jornalista colombiana Edilma abriu a atividade propondo uma reflexão: contar histórias a partir de uma perspectiva de esperança. “Faz falta mais histórias de esperança conectadas com dados. Essa esperança que falta em nossos países e territórios. O jornalismo deve se apoiar em dados, mas também ser mais humano. A Amazônia está vivendo um cenário de violência, talvez o maior da história, mas também temos que contar essa realidade a partir da esperança dos povos de seus territórios”, defendeu.

Para a jornalista, outro ponto importante é reconhecer que há narrativas próprias nesses territórios e comunidades que precisam ser contadas pelo jornalismo de dados em conjunto com essas populações. “Para poder contar histórias sobre os povos indígenas, não podemos fazer somente nós que não somos indígenas. E se vamos contar essas histórias, devemos considerar também outros tipos de dados, como os sons, a cultura e a diversidade de línguas, por exemplo”, enfatizou.

Marlus apresentou a Documental, uma plataforma web de geo-histórias criada para a produção de narrativas investigativas baseadas em dados sobre direitos humanos, territoriais e ambientais que combina diversos tipos de mídias, como foto, vídeo e cartografia, para construir narrativas interativas. O projeto é uma iniciativa do MediaLab.UFRJ, laboratório experimental e transdisciplinar sediado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A plataforma  possui versões em inglês, espanhol e português.

“A Documental possibilita construir uma narrativa que consegue ir além do audiovisual e dos relatórios de um milhão de páginas, o que facilita que mais pessoas se apropriem dessas histórias e desses casos investigados. Então, o propósito da plataforma é promover esse debate público sobre justiça social e ambiental”, explicou.

Por fim, Mariane apresentou o projeto Filhas da Mãe do Fogo, iniciativa do Observatório do Marajó que parte da lenda de uma mulher que é narrada de diferentes formas nos territórios do Marajó, entre as comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas. O projeto tem como objetivo fortalecer os conhecimentos tradicionais e as boas práticas que essas mulheres já desenvolvem nas suas comunidades para prevenção, manejo e controle do fogo.

“A forma que encontramos para falar de dados oficiais com essas mulheres, que são o público-alvo do projeto, foi levar os dados oficiais sobre o panorama de queimadas no Marajó, conectando isso ao imaginário sobre o fogo, que é muito forte na região, por meio da lenda da Mãe do Fogo, que é essa mulher que defende a natureza a partir do enfrentamento pelo fogo. Muito diferente do que a gente vê hoje no Marajó: o uso do fogo para afastar as comunidades do seus territórios”, explicou.

REFERÊNCIAS

Sem referências.

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Edilma Prada

Editora intercultural, jornalista investigativa e fotojornalista. Com pós-graduação em Direitos Humanos e Cultura de Paz. Com 20 anos cobrindo temas de conflitos armados e socioambientais, povos indígenas, Mãe Terra e fronteiras. É fundadora e diretora da mídia independente Agenda Propia, especializada na cocriação de histórias sobre povos indígenas na América Latina. É criadora da metodologia Jornalismo Colaborativo Intercultural e da Rede Tecendo Histórias que hoje promove a Agenda Propia liderada por uma equipe diversificada na região. Bolsista do Pulitzer Center – Rainforest Journalism Fund e bolsista da International Women’s Media Foundation. Ela é consultora da ONG global Agência de Investigação Ambiental (EIA). Foi vencedora de vários prémios nacionais e internacionais.

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Mariane Castro

Mulher ribeirinha, mobilizadora e articuladora cultural, ativista e multiartista com foco em identidade e cultura marajoara. Formada em comunicação social multimídia pela Estácio IESAM (Instituto de Ensinos Superiores da Amazônia) e técnico em teatro, produção cultural e design pela ETDUFPA (Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará), vencedora junto ao Coletivo Vênus do Prêmio Branco de Melo com a exposição Mãe do Corpo. No Observatório do Marajó, já foi coordenadora local de campanha, coordenadora de projetos, gestoras de projetos e atualmente é gestora de comunicação.

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Marlus Araujo

Marlus Araujo é designer, artista visual, programador criativo e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Mídias Criativas (PPGMC/ECO/UFRJ). Formado em design pela Escola de Belas Artes da UFRJ e pós-graduado em Projetos Digitais pelo IED Rio, seu campo de interesse é a convergência entre arte, design e tecnologia, através da concepção de projetos digitais diversos, como games, visualizações de dados, interfaces web, instalações interativas e ambientes imersivos. Como pesquisador colaborador do Medialab.UFRJ, participou do projeto Documental.xyz como designer e desenvolvedor.

Henrique Parra

Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É coordenador do Laboratório de Tecnologia, Política e Conhecimento (Pimentalab); integrante do Laboratório de Humanidades Digitais (lab.hum), e da Rede Latinoamericana de Estudos em Tecnologia, Vigilância e Sociedade (LAVITS).

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